sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

2011 foi um ano muito doido. acho que se fosse parar pra fazer uma retrospectiva minuciosa sobre tudo o que aconteceu na minha vida eu passaria boas tardes relatando (e com certeza, rindo) sob riscos de excesso. idiotices à parte, o certo é que esse ano a menos me proporcionou muitos instantes entusiasmantes e  recheados daquela satisfação plena que só o rock pode trazer. sabe quando você vai a um show sem muitas expectativas e acaba voltando tortinhx da cabeça, tamanha a empolgação e o sentimento demandados? não se trata de conforto físico, de estar num lugar espaçoso com pessoas cheirosas e bem comportadas; é sentimento, é satisfação, é sentir-se compreendido nesse mar de desprazer que a vida te oferece dia-a-dia. felizmente eu senti isso aí umas boas vezes esse ano. foi difícil fazer essa lista, e por isso achei mais democrático comigo mesmo escolher logo um monte de shows e não listar por melhor ou pior. todos foram especiais de alguma forma, então talvez seja mais justo só deixar em ordem cronológica, mas é a ordem que a minha memória e paciência ditaram. coisa ou outra deve tá fora do lugar, mas é isso aí. começar é sempre o primeiro passo, hehe.  sintam-se a vontade pra comentar e compartilhar o que quiserem.



com 6 pontos no bucho, fui fazer a portaria de um show que tava ajudando a organizar e só entrei na salinha apertada do marcelo pra ver o defy. na verdade ví uns três sons, mais que o suficiente pra eu assinar embaixo com o sensato comentário do intervalo banger:  "o bagulho fede!". esqueça a mesmice que atolou o crust num buraco de caixão mundo afora. desde a demo (gravada ainda com o guitarrista antigo), já dava pra ver que o direcionamento da banda tava longe de estagnação e da mesmice que meio zilhão de bandas tem feito por aí. resultado: foram fincar o pé lá no death metal suéco. o que temos é essa parada pesada e corrida a uns 125 por hora, te dando margem pra fazer um pogo-dean jones ou bangear frenéticamente tipo o seu instrumentista predileto de death metal. mantendo a mania feia de comparar as coisas, eu acho que é tipo um choque do crust portlandiano a-lá hellshock com o left hand path, só que com o cozinheiro de mão cheia falão nos vocais e toda a trupe em preto e branco que intimida sem precisar abrir a boca. espero ver um show completo em 2012.



a única banda do polêmico ny/hc que ainda me faz sair do conforto do lar pra pegar avião e curtir uma hora e meia de show. pena que a lição de hardcore que os bacharéis ministraram não foi bem entendida pelo público. o povo que gosta desses sons é meio cretino, né. sei lá, tinham uns caras fechando umas rodas, gritando tipo cachorro doido e distribuindo pancada pra tudo que é lado. credo. na tentativa de ficar na frente e não apanhar, quase tomei uma nos meus recém 6 pontos no bucho e resolví arregar. curtí o show láá de trás, ví tudo, e saí do carioca club com a alma lavada. a banda ao vivo é lição pra carregar a auto-estima de qualquer um pras galáxias. o lou tem uns discursos muito legais, positivos e fortes sem soar forçado, e o pete é tipo um ninja que faz da espada a guitarra. o cara toca com raiva, com gana, faz de qualquer show uma festa, como se fosse o último dia da vida de cada umx que tá ali. ter visto o craig setari na minha frente foi meio mágico também. mó filminho passando na cabeça, me levando lá pro dia que eu ouvi o can't close my eyes pela primeira vez. classe. ótimo show, ótima lição, ótima tarde culinária na casa do falão e ótimas companhias num fim de semana friorento em são paulo. 



além da organização criteriosa que essa galera tem, me aprecia muito o capricho com os rangos. eu me esbaldo. nesse dia comi que nem um filho da puta e fui curtir um discarguinha (hehe) e, pra variar, a banda mais rápida do mundo passou como uma devastação por cima da minha cabeça. é muito rápido, bróder. o tenório envelhece, muda o penteado, fica mais gente fina ainda e não para de acelerar nas baquetadas. na frente a mola humana-juninho voava e chifrava xs 50 fotógrafxs encima do palco, e o daniel brincava de septic death com aquelas bases abertas em três casas. ponto alto do show: eu e zelito mandando um pointing finger em contra cultura. 



um dia depois da verdurada de brasília fomos pra águas lindas curtir mais um show do discarga, e eis que o ponto alto da noite foi o gracias por nada. amigues, muita atenção pra essa banda no ano que entra. dedilhadinhos, urros de agonia (e é agonia mesmo! alex afonso não arrega um minuto!) e aquela vontade de fechar os zói e dar soco na parede. som recomendado pra se ouvir em momentos de introspecção aguçada e acompanhada daquele bom e velho desejo de mudança. criar um clima legal pra tocar o som cinzento que o axegrinder e o amebix disseminaram por aí não é pra qualquer banda, não. o gracias consegue, e nesse show manteve a tradição de fazer bobo e boba chorar. agora é só gravar e ganhar o mundo. 



no ponto alto da minha metaleirice, fui a brasília numa quarta a tarde sob permissão da querida patroa ("uma hora-extra por dia e você pode ir") e ajuda do bacural pra curtir o iron maiden. nunca fui muito chegado nisso, confesso, mas precisava ver ao vivo o que tanto me falaram depois do show de 2010 . pra provar que eu sou real, ainda passei a virada de 2010 pra 2011 no carro do dudu, bêbado e cantando deja vü. pois é, não pude deixar passar a oportunidade. os cara tão véio. pra eu dançar igual foi com o dio ou com o phil vane não demora nada. depois de uma viagem magistral no golzêra branco e receptividade nota mil na casa da família iron maiden nos entornos do guará, fomos pro show e o resto é mágica. três guitarras em harmonia, luzes demais, bruce pulando mais que o pedrinho e ishquero pro alto. show grande, performático e necessário pra todo mundo que quer, já quis, ou um dia vai querer montar banda de rokenrou. 



ainda tava curtindo a ressaquinha do iron maiden quando embarquei no busão da under metal pra cumprir com mais um encargo rokeiro no nebuloso primeiro semestre. três horas de asfalto, enjôo de estômago, perdendo prova de fotografia e com a carteirinha de estudante vencida por um dia. por menores à parte, consegui entrar lá no ginásio pagando meia sem conversa, encontrei uma gangue e fiquei ali longe terminando de ver uma banda qualquer assassinar uns clássicos do sepultura. meia horinha dessa embromação e a expectativa tomou conta. bicho, o negócio é surreal. eu não sei, fiquei meio estático, meio abobado, cantando, abrindo boca, arregalando olho e batendo palma sem poupar esforço. esse puto é uma simpatia. ria, agradecia, ria mais, tocava um black sabbath, colocava gente pra sapecar jato d'água na galera e saia correndo. envelhecer sem deus e com carisma é uma resolução pra vida toda. o ozzy conseguiu e tá distribuindo os passos pra quem quiser seguir. 



esse show foi além da maioria dos muitos que ví do RDP por três simples motivos: o gordo tava simpático, não reclamou do som e nem se incomodou da cabeçada invadir a parte da frente do palco. outro diferencial foram os sons do split com o looking for an answer ao vivo. bruto demais. é tipo um napalm death de uns três discos pra cá com umas chamadas de guitarra e marcaçõezinhas de prato do excel fase split image.além disso, muito som do ao vivo de 92, DOIS covers do extreme noise terror (work for never daquele jeito e bullshit propagandaaaaaa! com o junin cantando) e diversão no pit com um monte de amigo. tirando a lata de cerveja a 4 reau e os wc's na correria pelo abono prometido e não pago, foi ótimo.



eu não viví essa época, mas corre a lenda que de 2002 a não muito mais que isso, a meninada de uberlândia conheceu a laja records, associou sei lá como à escolinha sarcófago/sepultura e ficou com a cabeça estragada. melhor que cretinos gente boa no mundo, é ter cretinos residindo em goiânia e me presenteando com a surpresa local do ano. é muito escroto ver essa trinca jão/uds/stone na ativa e juntos. no caso da fatídica leila lopes, rola uma descarga de energia aliada a competência que impressiona. nego nem faz força e sai esse arregaço. trocando por miudos, o negócio é um grindcore brincalhão e falador mas muito bem feito, com direito a solos mirabolantes com pedal de tocar dub, letras apimentadas tipo "deus roubou minha carteira", mãozinha de fogo, um dos melhores bateristas que eu já vi na minha frente e o inusitado panter nos urros frontais. ví outro show (esse último com o helião na batera), e convenceu. continuem, seus putos. a veia stormtoopers of death em goiânia depende de vocês.



punk rock contraventor e desconexo do que se vê por aí. já tinha visto um show antes (onde mesmo?) e me surpreendi com a familiaridade de cada qual com seus novos instrumentos. não sei quanto à jully, mas de resto é baterista renomado cantando, baixista/cantor arranhando forte a guitarra e guitarrista batucando como se tocasse a anos. mais legal que isso é o som num conjunto. sei lá, eu enquadraria o cidade cemitério (bom nome, bom nome) naquela ala punk rock-eira do annihilation time, com menos virtuosismo iron maiden ou carisma thin lizzy e mais carregadas black sabbath, saca. poney imprime a simplicidade e precisão de um group sex mais carregado e com arrastadinhas satânicas mil, manga se arrasta no chão e comprime a vergonha nos joelhos, jully fecha a cara pro mundo e descarrega tudo nas palhetadas e o daniel toca saltitando preocupação em acertar tudo. tô bem ancioso pelo que vem por aí.



a banda do ano? a banda da década? a parada ao vivo é tipo batida de trem. em águas lindas então, nem se fala. depois de oferecerem aquela caspa do capeta (valeu hery!) pros inocentes integrantes da banda WCM em um botequinho às encostas do APOAL, fomos lá ver um malhuco acabar com a birra do jão e colocar o combustível que o menino procurou (e não achou) em brasília. feita a feiura, me deparei com o test inundado por uma camada de poeira cinza e tocando aquele grind-death metal-crust-cheio de minimalismo e loucura com uma maestria que encantava. é muito escroto ver o jão e o barata juntos. dois imperativos malucos vindos de outro mundo dá nisso. insanidade, experimentalismo e ousadia na medida certa, misturados a cimento com água dispostos no ar, muita gente feia, e a cidade mais violenta do brasil. ingredientes perfeitos pra essa noitada de gala. quem viu, viu. quem não viu, chora. 



mais uma realização pessoal conferida em 2011: ver alguém da melhor banda no mundo na minha frente (que cretinice). logo que cheguei no (vazio) metrópolis, ví que seria uma noite pra poucos privilegiadxs. mais um show que pede a deixa 'quem foi, foi; quem não foi chorou'. acompanhado da nata candanga formada por karol, manga, merchanda, iani e o importado luiz sabateh mais os conterrâneos segundo e pedro marques, ví a aulinha de punk rock do joe lally trio com a bocona aberta. muito prazeroso ver gente velha tocando esse sonzinho inocente, simples, e ao mesmo tempo inovador e revolucionário aos meus ouvidos. a flanelinha que o batera tirou pra forrar a caixa e tirar um som mais grave e aquele teatrinho que eles mandaram foi coisa de gente que sabe o que faz, diz aí. prova viva de que dá pra envelhecer com as devidas dignidades. 


olho seco - martim cererê

esperei 7 anos pra ver isso na minha frente, e a ansiedade só não foi totalmente compensada porque a "banda de apoio" deixou a desejar. tá certo, são as mesmas músicas de sempre (e nem são deles, salvo as adaptações que resultaram no disco haverá futuro), e talvez isso traga um aspecto morno na hora de reproduzir os clássicos, mas sei lá. faltou ânsia na hora de tocar. fabião, com aquele aspecto urbano, gasto, amargurado pelos enlaces da cidade grande desde que o mundo é mundo, corria de um lado pro outro com a mesma jaqueta de couro e uma regatinha pra dentro da calça, no ápice de seus muitos anos, e os outros três só no piloto automático, aparentemente fazendo por fazer, tocando por tocar, reproduzindo sem sentir. mesmo assim (e não que isso tenha sido um empecilho pra mim), cantei, gritei, esperneei e chorei com os olhos fechados e como se não houvesse amanhã. memorável! todos hipnotizados! noite histórica com direito ao ímpeto tocando um set list só de cólera e a tragédia digestória do ano. não vou citar nomes. quem sabe, sabe.



depois que o desastre sumiu do mapa, pouca banda conseguiu me deixar realmente satisfeito nesse mundão do metalpunk. o whipstriker é a primeira da lista. show avassalador pra um público que parecia não entender o que tava acontecendo ali. sei lá, pouca interação, pouca vontade de demandar dos braços cruzados pra curtir esse rokão cervejeiro com sotaque de carioca. seja como for, aquela mistura saudável de discharge com motorhead ou gbh com hellhammer e N.W.O.B.H.M atropelou minha cabeça. as bases são muito fudidas. dá vontade de largar tudo, comprar uma moto e uma jaqueta de couro e sumir. claro que eu não vou fazer isso, mas que o show foi fudido, foi. 



o show de metal do ano. já tinha ouvido o farscape a uns 5 anos atrás na mesma remessa que me fez conhecer o eternal devastation, o by war e o violator, mas dei pouca atenção e eu não sei nem porquê. thrash metal com mãozinha de fogo, palhetadas redondas e um dos melhores bateristas do ramo que eu já ví. esse negócio de letras em português é tora também. meio barango, mas funciona legal. cantar carrascos do metal com pedrinho e marco túlio foi voltar lá pro bairro feliz em 2005 pra ouvir som, comer espetinho de provolone e jogar video game. fortíssimo candidato a melhor show do ano.



fui a esse show meio receoso. não conhecia a banda, fui mais por indicação do que por vontade própria e acabei me surpreendendo em dobro. primeiro, porque essa casinha de shows renegada por uma caralhada de gente tem o potencial de salvar nossas vidas em goiânia, e segundo, porque o damn laser ao vivo é sensacional! três pessoinhas encapuzadas a seus modos tocando uma mistureba de coisa fina, oscilando entre o garage rock e esse punk rock macabro a lá misfits, só que pendendo bastante pra um lado the cure ou joy division de vez em quando. não raras as vezes a parada te surpreende com um pouco de ramones no meio disso tudo que eu falei, aí pronto. só erguer a lata de cerveja pro alto e balangar os cambitin. outros pontos altos no show: ganhei dois quadrinhos do léo bigode (um zine do márcio junior chamado 'a vida é mesmo uma maravilha', e uma revista chamada 'macaco'. coisinha bem feita e pouco valorizada até pelo idiota aqui, mas uma hora muda ou não), revi um pessoal gente boa e encerrei a noite com stonewood e panter mandando um rango podre com aquele monte de coisa boa, - leia-se maionese com ervas na bisnaga e purê de batata no sanduíche. reclamar pra que?



momento alto do ano. tirei zero, possuído, conquest for death, what-happens-júlio, sorriso sincero e aquela magia conic-2005 no círculo operário do cruzeiro velho. só não foi melhor porque foi pouco. não sei mais o que falar. amém. 



que o chinelismo de couro tá me ganhando de pouco em pouco eu já sabia, mas ir a um show do cidadão instigado, dançar e cantar metade do set list é exagero. seja como for, esse esperadíssimo show cumpriu a expectativa com vantagem e mais vantagem. suíngue demais. de música brega aos ruídos eletrônicos mais imprevisíveis que seu ouvido já sentiu, passando sempre pela praia e pelas ruas de são paulo, tudo em uma hora de show. ter curtido tanto esse show é só mais uma prova de que eu tô ficando doido mesmo. ótimo. 



assim como dito no release do defy, a viela de crust aqui causa a melhor das impressões. falo viela porque é o que predomina, mas não é só isso: pegue aí os primórdios do neo crust e desce neurosis no meio. amo isso. a parada fica muito densa, encorpada, agonizante e barulhenta, e olha que aqui essa coisa de barulheira chega aos seus extremos porque o baterista se chama mariano. o cara não economiza. achei que a bateria fosse criar asa e voar. de resto, é o tipo de show que lava sua alma, te leva à introspecção no meio de um mar de delay e no fim das contas, pronto, você tá dançando sozinho ou batendo a cabeça contra a parede. INTENSO!

p.s.: post feito no dia 01/01/12. tô apanhando grandão pra esse blogspot :~